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Sexta-feira, Janeiro 27, 2023

Retrato de Madame du Barry e do Pajem Zamore

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O  Retrato de Barry e do Pajem Zamore  correspondem a uma pintura exposta no Museu Calouste Gulbenkian, designadamente na sala que reúne uma Coleção do Fundador. O seu autor, Jean-Baptiste André Gautier-Dagoty (Paris, 1740-1786) foi um pintor especializado na arte do retrato, protegido por Maria Antonieta, a rainha, que retratou por diversas vezes.

Tanto que o motivo deste retrato (percebeuma dama e seu pajem), como a composição e as técnicas artísticas utilizadas, enquadram-se no romântico, refletindo o desejo de valorização da expressão individual no de uma “sociedade contexto das máscaras” [1 ]  de que a corte de Versalhes foi exemplar. Mas qualificará ser o “significado” inscrito nesta pintura que nos permita considerá-lo  historicamente relevante ?

Esta pintura é um testemunho da França do século XVIII, período absolutista (sécs. XVI-XVIII) em que a Coroa era uma fonte única de autoridade, vincando uma relação hierarquizada entre os três estados (clero, nobreza e “povo”) e consolidando o sistema de privilégios como garantia de sobrevivência do “Antigo Regime”. A presença discreta e do pequeno pajem também das posições sociais hierarquizadas e confirmam dama. estratégicos durante o período da Revolução Francesa. Mas afinal quem foram Madame du Barry e Pajem Zamore?

Madame du Barry foi por nascimento, Jeanne Bécu, (Paris, 1743-1793) de origem humilde, viria a ser uma das  favoritas do rei Luís XV, de França. Figura perturbadora e singular, gera controvérsias passionais de impacto político à escala nacional. Morreria na guilhotina durante o período conturbado da Revolução Francesa. Nascida ilegítima, foi graças a um amante da mãe que usufruiu de uma educação superior, conventual. A educação e beleza permitiram-lhe contactar com as elites parisienses. O conde Jean-Baptiste du Barry, que será seu amante, permite-lhe o conteúdo com intelectuais e artistas. Mas mais do que isso. No âmbito dos golpes políticos, através da seleção de ministro dos Negócios Estrangeiros, o Duque de Choiseul, o que se concretizaria mais tarde. Inuando-se es, a jovem Jeanne conquista estatuto de figura maior nas intrigas da corte de Versalhes. Em 1769 a Condessa du Barry, amante oficial do rei, foi apresentado à corte com a devida pompa e o incontestável escândalo. Episódios testemunham como “a du Barry” era personagem controversa, testemunhas de vários relevos históricos (social e político). Após uma vida aventureira, apoiante de republicanos  e  monárquicos , viria a ser denunciada por aquele pajem que, alguns anos antes, lhe servira uma chávena de chocolate ou café (?) na intimidade da toillete.

E o pajem Zamore, que histórica? O pajem Zamore (Louis-Benoit, após conversão ao cristianismo) nasceu no Império Mogol, atual Bangladesh. No ano de 1973, foi vendido e vendido a uma barra de 1º Luís à sua favorita, a madame de ouro fez 1 à sua favorita, a um pajem Posteriormente, Zamore aderiu ao movimento revolucionário e, no pós-revolução, associa-se aos Jacobinos. Enquanto serviu na Corte partilhava ideias anti-absolutistas e, secretamente, um sentimento de menosprezo pelo estilo de vida da  vida. Refira-se que estava seguramente protegido e que devia ser protegido posteriormente. Contudo, no contexto da Revolução também o próprio Zamore viria a ser preso, considerado suspeito pela sua relação anterior com a Corte. Zamore é, pois, surpreendente figura com registros históricos, sabe que viveu em Paris tendo sido professor escolar.

Interessante seria perceber em que medida foi intencional (e por parte de quem) a produção de um retrato da favorita de rei Luís XV pelo pintor queu a rainha Maria Antonieta, subestimando o conflito que existia entre ambas. Além disso, certamente importante, um momento mais importante, que esta pintura e os acontecimentos futuros (Revolução Francesa) estão entre a subverteria de forma invertencial, compreendemos como.

Museu Calouste Gulbenkian

[1]  COURTINE, Jean-Jacques; HAROCHE, Claudine,  História do Rosto , Lisboa, Editorial Teorema, 1988, p. 193